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Conheça a história da Rosa do pé inchado

Publicado em 24 de agosto de 2017

Rosa Correa, nasceu em Araquari em 1913. Seus pais morreram cedo. Ela e sua irmã de dois anos, Maria, foram criadas por parentes, Rosa veio ainda moça pra Joinville, onde trabalhou no hospital São José.
Todos comentam que “Rosa do pé inchado” era bonita, se tingia de forte maquiagem e o vestido apertado na cintura. Às vezes, chegava para uma pessoa e lhe oferecia um ramalhete de flores colhido por ela mesma.
Com o passar dos anos começou a beber, tornou-se chucra, agressiva com acidez pelos poros, e ainda andava suja e mal vestida. Os pés, que ela em silêncio tentava ocultar com faixas de gaze, inchavam cada vez mais e mais. Por compaixão, as pessoas lhe davam algumas moedas e Rosa passou a viver de esmolas. Muitas vezes passa os dias ameaçando com a bengala qualquer um que cisma de indagar como vai seu pé.
O apelido “Rosa do pé inchado” vem do mal que lhe consumia os pés, alguma doença que não era tratada, isto desde moça era assim. No entanto, a doença não impediu que Rosa caminhasse durante anos pelas ruas de Joinville, delirando, sem rumo, sem destino.
Quanto aos pés, também foram piorando. Em vez de tratá-los, Rosa os enrolava em jornal e dizia que era para “tirar a dor”. Mesmo assim, continuava andando por Joinville e só aceitou ir ao médico quando perdeu toda capacidade de se locomover. Tarde demais, logo depois de ter ido ao médico e ficar algum tempo no hospital, Rosa sofreu um derrame que paralisou um de seus braços e a impossibilitou de falar. Foi tratada pelas moradoras da Vila Vicentina, no Boa vista. Estava limpa e bem cuidada. A comunidade da Vila ajudou muito, com alimentos e vigílias durante a noite. “Rosinha”, que sempre foi pequena, estava menor do que nunca e muito magra. As pernas, sem faixas, mostravam o que ela tentou esconder a vida inteira: os buracos gangrenados das feridas nunca curadas. Como viam que ela não melhoraria, resolveram levar Rosa para o Hospital Regional. Já não movia mais a boca nem abria os olhos. Apenas um fino filamento de soro a nutria. Na madrugada do dia 12 de dezembro de 1995 Rosa morreu. Uma personalidade de Joinville que vai ficar na memória de quem a conheceu e de quem agora ficou sabendo de sua história.

Crédito da pesquisa laerciobeckhauser.com
Perfil publicado no jornal A Notícia, na seção Anexo, no dia 18 de janeiro de 1996. ROSA DO PÉ INCHADO Uma rapsódia trágica Fernando Karl – Joinville

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